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ENSINAMENTOS

 

O NÉCTAR DO CORAÇÃO DOS GRANDES MESTRES

- Por Sua Santidade Dudjom Rinpoche Jigdral Yeshe Dorje -

Refúgio imutável, único e infalível, Senhor da Mandala,
Preciosíssimo e gentil Guru, ampare-me com compaixão
Quando desperdiço as liberdades e dotes,
Cuidando apenas desta vida, ignorando a morte.

Esta vida humana, fugaz como um sonho,
Se for feliz está certo, se for infeliz, está certo.
Sem preocupar-me com a felicidade ou a dor,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Esta existência mortal, como uma vela no vento,
Se for longa, está certo, se for breve, está certo.
Sem intensificar o forte apego do ego,
Possa eu constantemente praticar oEnsinamento Supremo.

Estes julgamentos intelectuais, como o encanto de uma miragem,
Se forem apropriados, está certo, se não o forem, está certo
Descartando, como feno, tudo o que carregue as oito preocupações mundanas,
Possa eu constantemente praticar oEnsinamento Supremo.

Este séquito, como um bando de pássaros numa árvore,
Se estiver unido, está certo, se estiver desunido, está certo.
Sem deixar que outros me apontem o caminho,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Este corpo ilusório, como uma casa de cem anos,
Se durar, está certo, se ruir, está certo.
Sem me tornar obcecado por comida, roupas e remédios,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Este cargo religioso, como um jogo infantil,
Se for mantido, está certo, se for retirado, está certo.
Sem enganar-me com inúmeras dispersões,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Estes deuses e demônios, como reflexos num espelho,
Se forem benéficos, está certo, se forem maléficos, está certo.
Sem perceber minhas próprias alucinações como inimigos,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Esta conversa enganosa, como um eco sem vestígio,
Se for agradável, está certo, se for desagradável, está certo.
Tomando as Três Jóias e minha própria mente como testemunhas,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Aquilo que é inútil na hora da necessidade, como os chifres de um cervo,
Se for conhecido, está certo, se for desconhecido, está certo.
Sem simplesmente confiar nas várias ciências,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Essas oferendas religiosas, como um veneno virulento,
Se vierem para mim, está certo, se não vierem, está certo.
Sem dedicar minha vida a meios de sobrevivência sem ética ou pecaminosos,
Possa eu constantemente praticar o Dharma.

Essa aparência de grandeza, como fezes de cão embrulhadas em brocado,
Se for conquistada, está certo, se não for conquistada, está certo.
Tendo cheirado a podridão de minha própria cabeça,
Possa eu constantemente praticar o Ensianamento Supremo.

Esses relacionamentos, como encontros num dia de feira,
Se forem amorosos, está certo, se forem rancorosos, está certo.
Cortando as amarras do apego apaixonado do fundo do coração,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A riqueza material, como aquilo que é encontrado num sonho,
Se for adquirida está certo, se não for, está certo.
Sem iludir os outros através de adulações e elogios,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Esse posto, como um pequeno poleiro no topo de uma árvore,
Se for superior, está certo, se for inferior, está certo.
Sem aspirar por aquilo que na verdade só traz dor,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Essa magia negra , como uma arma afiada,
Se for bem sucedida está certo, se não o for, está certo.
Sem comprar a lâmina que cortará minha própria vida,
Possa eu constantemente praticar o Ensianamento Supremo.

Esses versos, como as seis sílabas pronunciadas por um papagaio,
Se forem repetidos, está certo, se não o forem, está certo.
Sem contar os números das várias práticas,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

O mero discurso religioso, como a cascata que cai da montanha,
Se for fluente, está certo, se não o for, está certo.
Sem considerar essa tagarelice como Dharma,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A mente, tão rápida em julgar quanto o focinho de um porco fareja,
Se for afiada, está certo, se for embotada, está certo.
Sem fuçar inutilmente o cascalho da raiva e do apego,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A experiência do Yogui, como um córrego no verão,
Se expandir-se, está certo, se retroceder, está certo.
Sem caçar arco-íris como uma criança,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo

Essas visões puras, como a chuva no topo da montanha,
Se ocorrerem, está certo, se não ocorrerem, está certo.
Sem dar crédito a experiências ilusórias,
Possa eu constanetmente praticar o Ensinamento Supremo.

As liberdades e dotes, como uma jóia que realiza desejos,
Se não conseguí-los, não haverá meios de alcançar o Dharma.
Enquanto os tiver em mãos, sem deixar que se danifiquem,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

O glorioso Guru, luz no caminho da Liberação,
Se não encontrá-lo, não há meios para alcançar a verdadeira natureza.
Enquanto souber o caminho por onde ir, sem pular no precipício,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

O sagrado Dharma, como um remédio que cura a doença,
Se não o tiver escutado, não há como decidir o que adotar e do que desistir.
Sem engolir o veneno, distinguindo o que é benéfico do que é maléfico,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A alternância da felicidade e do sofrimento, como a passagem do verão para o inverno,
Se não tiver reconhecimento dela, não há como desenvolver a renúncia.
Tendo a certeza de que sofrerei sucessivamente,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A imersão no samsara é como uma pedra assentada em águas profundas,
Se não emergir agora, não conseguirei libertar-me mais tarde.
Agarrando-me à corda salva-vidas da compaixão das Três Jóias,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

As qualidades da liberação, como uma ilha feita de jóias,
Se não estiver consciente delas, não há como desenvolver a diligência.
Vendo os infindáveis benefícios a serem conseguidos,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

As histórias da vida dos grandes mestres , como a essência do néctar,
Se não estiver familiarizado com elas, não há como despertar a fé.
Enquanto reconheço os verdadeiros ganhos e perdas,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A aspiração pela iluminação é como um campo fértil,
Se não o cultivar, não há meios de alcançar a Budeidade.
Sem me tornar indiferente à realização dessa grande meta,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Esses meus pensamentos, como macacos travessos,
Se não domá-los, não há meios de eliminar minhas emoções aflitivas.
Sem cair em todo tipo de mimetismo louco,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Esse apego ao ego, como uma sombra inerente,
Se não desistir dele, não há como alcançar um lugar pacífico.
Quando reconhecer o inimigo, sem confraternizar com ele,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.


Os cinco venenos, como brasas brilhando entre as cinzas,
Se não extinguí-los, não poderei permanecer na própria natureza da mente.
Sem criar filhotes de cobras venenosas em meu leito,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Meu temperamento, como o rígido interior de uma bolsa de manteiga,
Se não amaciá-lo, o Dharma e minha mente jamais se mesclarão.
Sem condescender com a criança nascida de dentro de mim,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Esses maus hábitos arraigados, assim como o curso de um rio,
Se não eliminá-los, não poderei afastar-me do profano.
Sem entregar armas nas mãos do inimigo,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Essas distrações, como o incessante ondular da água,
Se não rejeitá-las, não há como tornar-me estável.
Enquanto tenho a liberdade de escolha, sem devotar-me ao Samsara,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A bênção do Guru, como o calor que se derrama sobre a terra e a água,
Se não recebê-la, não há como reconhecer minha verdadeira natureza.
Quando trilhar o caminho rápido, sem andar em círculos,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

O lugar solitário, como um vale de verão cheio de plantas medicinais,
Se não ficar ali, não há como fazer crescer as boas qualidades.
Enquanto permaneço nas montanhas, sem perambular pelas cidades escuras,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Esse desejo por conforto, como um fantasma voraz escondido na lareira,
Se não separar-me dele, os esforços penosos jamais cessarão.
Sem fazer oferendas a um demônio faminto como a um deus,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

A consciência alerta, como a chave de uma fortaleza,
Se não contarmos com ela, os movimentos da delusão não poderão cessar.
Na hora em que o ladrão chegar, sem deixar a tranca aberta,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.


A verdadeira natureza, como o espaço imutável,
Se não percebê-la, a base para a visão não se estabelecerá.
Sem acorrentar-me a grilhões de ferro,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Essa consciência, assim como um cristal imaculado,
Se não for capaz de vê-la, o apego e o esforço da meditação não poderão ser dissolvidos.
Enquanto tenho essa companheira inseparável, sem procurar por outra,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Essa mente natural, como um velho amigo,
Se não for capaz de reconhecê-la, todas as minhas atividades serão enganosas.
Sem esbarrar ao redor de olhos fechados,
Possa eu constantemente praticar o Ensinamento Supremo.

Resumindo, se não abandonar as preocupações dessa vida,
Não há como aplicar os ensinamentos para o benefício de minha próxima vida.
Tendo decidido ser generoso comigo mesmo,
Possa o que quer que eu faça tornar-se o Ensinamento Supremo.

Duvidar das instruções do Guru, que estão de acordo com o Dharma,
Sentir rancor pela deidade quando mau karma emerge,
Suspender a prática e coisas do gênero, quando circunstâncias adversas surgem,
Que tais obstáculos possam não ocorrer quando a conclusão estiver próxima.

Todas essas coisas não têm maior significado do que caminhar no deserto,
Todos esses esforços enrijecem meu caráter.
Todos esses pensamentos só reforçam minha delusão,
O que os seres mundanos consideram Dharma é a causa de minhas amarras.

Todo esse empenho não produz nenhum resultado,
Nenhuma dessas idéias contém uma única realidade,
Todos os numerosos desejos jamais serão satisfeitos,
Abandonando as atividades, possa eu conseguir meditar nas instruções orais.

Se acha que quer fazê-lo dessa maneira, tome as palavras dos Vitoriosos como testemunha,
Se acha que realmente pode fazê-lo, misture sua mente ao Dharma,
Se acha que vai praticar, siga o exemplo dos mestres do passado.
Vocês, mimados, há algum outro caminho?

Assumindo uma posição humilde, rica em contentamento,
Livre das amarras das oito preocupações mundanas, firme e com o coração voltado para a prática,
Recebendo as bênçãos do Guru, as realizações são percebidas como o espaço.
Possamos receber como herança o Reino de Kuntuzangpo.

Unindo dessa maneira o significado das palavras diamantinas dos mestres do passado, escrevi esse texto como minha prece pessoal.
- Jigdral Yeshe Dorje

Oferecido com orações pela continuidade das bênçãos de S.S. Dudjom Rinpoche, Jigdral Yeshe Dorje, e pela longa vida de sua emanação, pelo bem de todos os seres. Traduzido para o inglês por Bhakha Tulku Rinpoche e Constance Wilkinson, traduzido para o português por Pema Dorje e pelo grupo de tradução Pema Dakini (Rio de Janeiro), sob a orientação do Lama Osel Gyurme.

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