GLOSSÁRIO
Ações
(las) : ações que resultam na experiência
de felicidade para os outros são definidas como positivas
ou virtuosas; ações que provocam o sofrimento para
os outros ou para si mesmo são descritas como negativas ou
não-virtuosas. Toda ação, seja física,
mental ou verbal é como uma semente que leva a um resultado
que será experimentado nesta ou em uma vida futura.
Agregados,
cinco (Tib. spung po, Skt. skandha), lit.
“montes”, “agregados” ou “eventos”.
Os cinco agregados são os elementos que compõem a
forma, as emoções, a percepção, os fatores
condicionantes e a consciência. São os elementos dentro
dos quais a pessoa pode ser analisada de forma não residual.Quando
aparecem em conjunto, a ilusão do ‘self’ se produz
na mente ignorante.
Aparências
(snang ba): o mundo dos fenômenos externos. Embora
estes fenômenos aparentem ter uma realidade verdadeira, sua
natureza última é a vacuidade. A transformação
gradual da nossa maneira de perceber e entender estes fenômenos
correspondem aos vários níveis no caminho da iluminação
Apego,
fixação, desejo (bdag ‘dzin) : seus
dois aspectos principais são o apego à realidade do
ego, e o apego à realidade dos fenômenos externos.
Bardo:
Palavra tibetana que significa “estado intermediário”.
Este termo na maioria das vezes se refere ao estado entre a morte
a o renascimento seguinte. Na verdade, a experiência humana
inclui seis tipos de bardo: o bardo da vida presente, o bardo da
meditação, o bardo do sonho, o bardo da morte, o bardo
luminoso da realidade última, e o bardo do vir-a-ser. Os
três primeiros bardos manifestam-se no curso da vida. Os três
posteriores referem-se ao processo de morte e renascimento, que
termina no momento a concepção no início da
existência seguinte.
Bodhichita (byang chub kyi sems) : lit.
“a mente da liberação”. No nível
relativo, é a aspiração de atingir o Estado
Búdico pelo bem de todos os seres, bem como a prática
do caminho de amor, compaixão das seis perfeições
transcendentais, etc, necessária para se alcançar
este objetivo. No nível absoluto, é a visão
direta da natureza última.
Bodhisattva
(bhyang chub sems dpa): Aquele que, pela compaixão,
esforça-se em alcançar o Estado Búdico de plena
iluminação para o benefício de todos os seres.
Buda (sangs rgyas) : Aquele que eliminou
os dois véus – os véus dos obscurecimentos emocionais
e do obscurecimento cognitivo, ou seja, o pensamento conceitual
dualista, que impede a onisciência – e aquele que desenvolveu
as duas sabedorias, a sabedoria que conhece a natureza última
da mente e dos fenômenos e a sabedoria que conhece a multiplicidade
destes fenômenos.
Caminho
(lam) : O treinamento espiritual que permite que nos libertemos
do ciclo de existência (samsara), atingindo o estado Búdico.
Caminho
do Meio (Tib. dbu ma, Skt. madhyamika): forma
mais elevada da filosofia budista, assim chamada porque evita os
dois extremos do nihilismo e da crença na realidade dos fenômenos
(eternalismo ou materialismo).
Compaixão
(snying rje) : o desejo de liberar todos os seres do sofrimento
e das causas do sofrimento (ações negativas e ignorância).
É o complemento do amor altruísta (o desejo de que
todos os seres possam encontrar a felicidade e as causas da felicidade),
do regozijo (o qual se alegra com as qualidades dos outros) e da
equanimidade, a qual estende as três atitudes anteriores a
todos os seres, sejam eles amigos, estranhos ou inimigos.
Consciência
(rnam shes): O budismo faz a distinção entre
vários níveis de consciência: grosseira, sutil
e extremamente sutil. A primeira corresponde à atividade
do cérebro. A segunda é o que intuitivamente chamamos
de “consciência”, e que é, entre outras
coisas, a faculdade da consciência de conhecer a si mesma,
investigar sua própria natureza e exercer o livre arbítrio.A
terceira, e mais essencial, é chamada de “a luminosidade
fundamental da mente”.
Dharma
(chos): este termo sânscrito é a
palavra normalmente usada para indicar a Doutrina do Buda. O Dharma
da transmissão refere-se ao corpo de ensinamentos verbais,
sejam eles orais ou escritos. O Dharma da realização
refere-se às qualidades espirituais resultantes da prática
destes ensinamentos.
Dualidade,
percepção dualista (gnyis ‘dzin) :
A percepção ordinária dos seres não-iluminados.
A apreensão dos fenômenos em termos de sujeito (consciência)
e objeto (imagens mentais e o mundo externo), e a crença
em sua existência verdadeira.
Ego,
“eu” (bdag): apesar do fato
de que somos um fluxo em transformação incessante,
interdependentes com outros seres e com o mundo inteiro, imaginamos
que existe em nós uma entidade imutável que nos caracteriza
e que devemos proteger e agradar. Uma análise exaustiva deste
ego revela que ele não passa de uma construção
mental fictícia.
Estado
desperto atemporal (rig pa): a natureza última
e não-dual da mente, que é totalmente livre de delusão.
Existência,
verdadeira, intrínseca ou realidade : ( bden ‘dzin):
Uma propriedade atribuída aos fenômenos, sugerindo
que pudessem ser objetos independentes, com existência propria,
e possuidores de propriedades que lhes pertençam intrinsicamente.
Fatores
mentais aflitivos, ou emoções negativas
(Tib. nyon mongs, Skt: klesha): todos os eventos
mentais nascidos do apego ao ego, que perturbam a mente e a obscurecem.
Os cinco principais fatores mentais aflitivos, às vezes chamados
de “venenos mentais”, são o apego, a raiva, a
ignorância, a inveja e o orgulho. Eles são as causas
principais tanto do sofrimento imediato, quanto do sofrimento a
longo prazo.
Fenômenos
(snang ba): o que aparece para a mente, através
das percepções sensoriais e dos eventos mentais.
Ignorância
(ma rig pa): uma maneira errônea de compreender os
seres e as coisas, e que consiste em atribuir a eles uma existência
real, independente, sólida e intrínseca.
Iluminação
( sangs rgyas) : sinônimo de Estado Búdico
(ou Budeidade). A realização última do treinamento
espiritual. Sabedoria interior consumada em união com compaixão
infinita. Uma compreensão perfeita da natureza da mente e
dos fenômenos, ou seja, de seu modo de existência relativo
(a maneira como eles se apresentam) e de sua natueza última
(a maneira como eles são).
Ilusão
(‘khrul pa): todos as percepções ordinárias
distorcidas pela ignorância.
Impermanência
( mi rtag pa): possui dois aspectos: a impermanência
grosseira refere-se às mudanças visíveis; a
impermanência sutil reflete o fato de que nada pode permanecer
idêntico a si mesmo, ainda
que pelo momento mais curto imaginável.
Interdependência,
ou “originação dependente”
(rten cing ‘brel bar ‘byung ba) :
um elemento fundamental dos ensinamentos budistas, segundo o qual
os fenômenos são compreendidos não como entidades
existentes de modo distinto, mas como a coincidência de condições
interdependentes.
Kalpa
(bskal pa): um grande kalpa, que corresponde a
um ciclo de formação e destruição de
um universo, divide-se em oitenta kalpas intermediários.
Um kalpa intermediário é composto de um pequeno kalpa
durante o qual o tempo de vida, etc, aumenta e um pequeno kalpa
durante o qual ele diminui.
Karma
(las): palavra em sânscrito cujo significado é
“ação”, e que se refere à lei de
causa e efeito relacionada aos nossos pensamentos, palavras e comportamento.
De acordo com os ensinamentos do Buda, os destinos, as alegrias,
os sofrimentos e as percepções do universo dos seres
não se devem nem à sorte nem à vontade de alguma
entidade todo-poderosa. Eles são o resultado de ações
passadas. Da mesma maneira, o futuro dos seres é determinado
pela qualidade positiva ou negativa de suas ações
atuais. É feita uma distinção entre o karma
coletivo, que define nossa percepção geral do mundo,
e o karma individual, que determina nossas experiências pessoais.
Lama
(Tib. bla ma, Skt. guru): (1) professor espiritual,
explicado como a contração de bla na med pa , “nada
superior”, (2) usado de forma abrangente para monges ou iogues
budistas em geral.
Liberação
(thar pa) : liberar-se do sofrimento e do ciclo
de existências. Ainda não se trata da obtenção
do Estado Búdico pleno.
Meditação
(sgom) : processo de familiarização com uma
nova percepção dos fenômenos. É feita
uma distinção entre a meditação analítica
e a meditação contemplativa. O objetivo da primeira
pode ser um ponto a ser estudado (por exemplo, a noção
de impermanência) ou uma qualidade que desejamos desenvolve
(tais como amor e compaixão). A segunda nos permite reconhecer
a natureza última da mente e a permanecer dentro d realização
dessa natureza, que está para além do pensamento conceitual.
Mérito
(Tib. bsod nams, Skt. punya) : karma
positivo, a energia gerada por ações positivas e corpo,
fala e mente.
Mente
(sems), veja também consciência:
em termos budistas, a condição ordinária da
mente é caracterizada pela ignorância e pela delusão.
Uma sucessão de instantes conscientes dá a ela uma
aparência de continuidade. Em termos absolutos, a mente tem
três aspectos: vacuidade, clareza (capacidade de conhecer
todas as coisas) e compaixão espontânea.
Natureza
Búdica (bde gshegs snying po) não
é uma “entidade”, mas a natureza última
da mente, livre dos véus da ignorância. Todo ser senciente
tem o otencial de atualizar sua Natureza Búdica ao atingir
o conhcimento perfeito da ntueza da mente. É, de certo modo,
a “bondade primordial”dos seres sencientes.
Nirvana
( myang ‘das) : “Além do sofrimeto”,
exprime vários níveis de iluminação,
dependendo se o nosso ponto de vista é o do Veículo
Básico, ou se é o do Grande Veículo.
Obscurecimentos
(Tib. sgrib pa, Skt. avarana) : fatores
que velam a nossa natureza Búdica.
Pensamento
discursivo (rnam par thog pa): o ato comum de
interligar pensamentos condicionado pela ignorância e pela
realidade relativa.
Realização
(1) (Tib. Dngos grub, Skt siddhi): O fruto desejado
e obtido através da prártica dos ensinamentos. As
realizações comuns podem ser simplesmente poderes
sobrenaturais, mas neste livro o termo realização
refere-se quase sempre à realização suprema,
ou seja, a iluminação. (2) (sgrub pa) No
contexto da recitação de mantras.
Renascimento,
reincarnação (skyes): os
estados sucessivos experimentados pelo fluxo de consciência,
e que são marcados pela morte, pelo bardo e pelo nascimento.
Refúgio
(1) skyabs yul, o objeto no qual tomamos refúgio,
(2) skyabs’gro, a prática de tomar refúgio.
Reinos
inferiores (ngan song): os infernos, os reinos
dos pretas (espíritos torturados), e o dos animais.
Samsara
(‘khor ba): a roda ou círculo de existência;
o estado de ser não-iluminado no qual a mente, escravizada
pelos três venenos do desejo, do ódio e da ignorância,
evolui descontroladamente de um estado para o outro, atravessando
um fluxo infinito de experiências psico-físicas, todas
elas caracterizadas pelo sofrimento. É apenas quando já
realizamos a natureza vazia dos fenômenos e dispersamos todos
os obscurecimentos mentais que podemos libertar-no do samsara.
Sofrimento
(sdug bsngal): a primeira das “Quatro Nobres
Verdades”, que são (1) a verdade do sofrimento, que
deve ser vista Omo onipresente no samsara, (2)a verdade da origem
do sofrimento – as emoções negativas que devemos
eliminar, (3) a verdade do caminho m(treinamento espiritual) que
devemos seguir para alcançarmos a liberação,
e (4) a verdade da cessação do sofrimeto, fruto do
treinamento ou do Estado Búdico.
Sutra
(mdo): as palavras do Buda Shakyamuni, que foram transcritas
por seus discípulos.
Tendências habituais (bag chags):
padrões habituais de pensamento, fala ou ação
criados pelo que fizemos em vidas passaas. Também, hábitos,
inclinações, impregnações.
Três
Jóias (Tib. dkon mchog gsum , Skt. triratna):
o Buda, o Dharma e a Sangha.
Três
venenos (dug gsum): as três emoções
negativas de engano (bewilderment), apego e aversão.
Vacuidade
(stong pa nyid): a natureza última dos fenômenos,
isto é, sua falta de existência intrínseca.
A compreensão absoluta da vacuidade se faz acompanhar do
nascimento espontâneo da compaixão ilimitada por todos
os seres sencientes.
Verdade
absoluta (Tib. don dam bden pa) : a natureza última
da mente e o verdadeiro estado de todos os fenômenos, o estado
além de todas as construções que podem ser
conhecidos apenas pela sabedoria primordial e de uma maneira que
transcende a dualidade. A modo de ser`das coisas do pontom de vista
dos seres realizados.
Verdade
relativa (kun rdzod bden pa): lit. “verdade-que-a-tudo-encobre”.
Refere-se aos fenômenos no sentido ordinário, os quais,
no nível da experiência comum, são percebidos
como reais e separados da mente e que, assim, encobrem sua verdadeira
natureza.
Visão,
meditação e ação
(lta, sgom, spyod pa): a visão
da vacuidade deve ser integrada em nossa mente através da
meditação, a qual deve, por sua vez, ser expressa
em ações altruístas e em nível último,
em atividades iluminadas.
Sabedoria
(shes rab, ye shes) 1) a capacidade de
discernir corretamente, a compreensão da vacuidade e 2) o
aspecto de conhecimento primordial e não-dual da natureza
da mente.
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