O
quinto Dalai Lama (1617-1682) comissionou três de seus mais
importantes discípulos Nyingma, Dzogchen Pema Rigdzin (1625-1697),
Shalam Rabjampa Tenpai Gyaltsen (1650-?), e Rigdzin Nyima Trakpa (1647-1710),
e confiou a cada um deles a construção de um mosteiro.
Depois de ter chegado a Kham, Rabjam Tenpai Gyaltsen teve uma visão
na qual Guru Padmasambhava profetizava que, caso construísse
um monastério próximo a um morro branco com a aparência
de um leão saltando, isso resultaria em enorme benefício
para todos os seres bem como para os ensinamentos budistas. Assim,
em 1695, aos 49 anos, Rabjam Tenpai Gyaltsen construiu o primeiro
monastério Shechen, onde deu ensinamentos a muitos discípulos.
O Guru Padmasambhava também profetizou que, mais tarde, um
monastério maior deveria ser construído do outro lado
de vale, onde o Budhadharma floresceria imensamente. Seu desejo foi
atendido pelo segundo Schechen Rabjam, Gyurme Kunzang Namgyal, que
fundou Schechen Tennyi Dargyeling em 1735.
O
monastério Shechen tornou-se rapidamente um dos seis principais
mosteiros Nyingma no Tibet, juntando-se aos outros 145 monastérios
associados. Muitos grandes mestres viveram e ensinaram em seus templos.
Entre eles, Schechen Mahapandita Ontrul Gyurme Thutop Namgyal (nascido
1787), que foi o mestre de Jamyang Khyentse Wangpo, Jamgön Kongtrul
e Patrul Rinpoche, que estudaram juntos com ele por muitos anos em
Shechen. Apesar de Lama Mipham não estar ligado a nenhum monastério,
costumava dizer que considerava o Shechen como sua casa. Da mesma
forma, Khenpo Gangshar, Trochu Jamdor, Khenpo Lodrö Rabsel, e
muitos outros eruditos estiveram intimamente ligados ao Shechen. Como
sua jóia da coroa, o monastério teve o terceiro Schechen
Gyaltsap, Gyurme Pema Namgyal (1871-1926), cuja Coletânea, originalmente
distribuída em 13 volumes , consiste numa das mais lúcidas
coleções de escritos desse século. As reencarnações
de Shechen Gyaltsap, Shechen Ontrul e Khenpo Gangshar estão
agora estudando e praticando em Shechen.
O
Monastério de Shechen original foi derrubado durante a Revolução
Cultural. Desde 1985, sob inspiração de Dilgo Khyentse
Rinpoche e de Shechen Rabjam Rinpoche, a reconstrução
foi retomada.
Dois terços do trabalho foram completados e o complexo do monastério
abriga agora 250 monges. Estão também incluídos
um centro de retiro e uma escola de ensino superior monástico,
com cinqüenta alunos, que freqüentam um curso de doze anos.
E foi assim que, em 1985, Khyentse Rinpoche finalmente retornou ao
Shechen, no Tibet. Esperando por ele, a muitas horas de seu ponto
de chegada, sob a luz brilhante do leste tibetano, a doze mil pés
acima do nível do mar, estavam trezentos cavaleiros com faces
bronzeadas, portando chapéus brancos e segurando bandeirolas
multicoloridas oscilando ao vento. Eram monges, vindos para dar-lhe
as boas vindas ao lar, após trinta anos de exílio. Todos
os nômades da região também deixaram suas negras
tendas, feitas de pêlo de iaque, e correram montanha abaixo
para esperar na beira da estrada. Acendendo galhos de zimbro e pinheiro
para produzir uma fumaça branca de incenso perfumado, cada
pequeno grupo tinha a esperança de parar o carro de Khyentse
Rinpoche e receber suas bênçãos.
Do
monastério original restavam apenas ruínas. Quando Rinpoche
se aproximou, a música estridente dos oboés, o retinir
dos címbalos e o profundo rugido das longas trombetas de mais
de quatro metros explodiram em som, do alto do telhado da Faculdade
Monástica, o único prédio de pé em meio
aos escombros, enchendo o vale com ecos majestosos. Uma longa procissão
de monges e músicos conduziu Khyentse Rinpoche ao templo. Assim
que tomou seu assento, uma multidão de monges e leigos pôs-se
a passar, em fila, olhando-o com um fervor tão intenso que
parecia assomar de dentro dos seus próprios ossos. Ao receber
suas bênçãos e contemplá-lo, poucos entre
eles, especialmente os mais idosos, conseguiam conter as lágrimas.
Alguns murmuravam algumas poucas palavras, ou pronunciavam seu nome.
Khyentse Rinpoche sorria para eles, algumas vezes reconhecendo uma
face do passado. Depois de muitas horas, o que parecia ser um fluxo
interminável finalmente chegou ao fim, e ele se pôs a
conversar com os anciãos do mosteiro, em torno de um bule de
chá de manteiga fervente. Tinham tanto para lhe contar - sobre
sua inominável provação, sobre quem tinha morrido
e quem tinha sobrevivido – mas, naquele dia, a primeira prioridade
era a alegria do reencontro. Para eles, aquilo era como um súbito
alvorecer após uma longa noite escura. Iniciando-se já
no dia seguinte, foi apresentado um festival de danças sagradas
de dois dias de duração em honra ao retorno de Khyentse
Rinpoche. Mais de cem dançarinos e músicos, todos monges
do mosnastério, participaram.O festival de dança costumava
ser um ponto alto na tradição do ano monástico,
mas, por muitos anos fora algo impensável. Somente no ano anterior,
os monges mais velhos tinham ousado ressuscitar a tradição,
e as vestimentas de brocados brilhantes dos dançarinos e as
belas máscaras, que haviam todas sido destruídas, foram
refeitas. Ao final das danças, Khyentse Rinpoche deu suas bênçãos
e ensinamentos aos monges e leigos que vieram vê-lo de toda
a região do Tibet oriental. Por todo o vale, os cavalos e iaques
dos visitantes pontilhavam as encostas de marrom, preto e branco.
Khyentse Rinpoche insistiu em passar a noite no ponto mais alto acima
do mosteiro, onde ficava o eremitério de seu mestre principal,
Schechen Gyaltsap. Não havia mais quase sinal dele, mas mesmo
assim Rinpoche acampou numa pequena plataforma sob as estrelas. Mais
tarde um pequeno eremitério foi construído no local.
Onde quer que fosse, Rinpoche ensinava, confortava e inspirava a todos
os que viessem vê-lo.
Enquanto
estava no Tibet central, em 1985, Khyentse Rinpoche entregou uma petição
ao governo chinês pedindo permissão para a restauração
do mosteiro de Samye, enfatizando sua importância para a herança
cultura ldo planeta. Samye foi o primeiro mosteiro budista, fundado
no século IX, por Guru Padmasambhava, com o patrocínio
do rei Trisong Detsen. Surpreendentemente, a permissão foi
concedida. Inspirado pela determinação de Khyentse Rinpoche
em salvar Samye, Sua Majestade, o Rei do Butão, contribuiu
com uma grande doação para o empreendimento. Em 1990,
o principal edifício do templo foi restaurado até a
altura de seus deslumbrantes telhados de ouro. Khyentse Rinpoche foi
convidado a consagrar o monastério, e viajou novamente ao Tibet.
Em Samye, realizou uma elaborada cerimônia de consagração
que durou por três dias. Em Lhasa,, Rinpoche fez oferendas de
duas mil lamparinas no templo do famoso Buda Coroado, o Jowo Rinpoche,
antes de visitar outros lugares sagrados e centros monásticos
no Tibet central. Essa seria sua última viagem ao Tibet.
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MONASTÉRIO
SHECHEN NO NEPAL
Khyentse Rinpoche dedicou esforço considerável na fundação
e manutenção de templos, universidades e monastérios
onde o estudo e prática da tradição budista pudessem
ser adotados. Um de suas últimas grandes tarefas foi a fundação
de um novo mosteiro Shechen, no Nepal. Ele não tinha nenhum
interesse em organizar uma sede grandiosa para si próprio,
e para ele, não fazia a menor diferença se vivesse em
uma cabana apertada ou em um imenso palácio. No entanto, foi
com um olho no futuro que ele se comprometeu com esse grandioso projeto.
Em
1980, a esposa de Khyentse Rinpoche e seu aluno principal, Trulshik
Rinpoche, sugeriram a ele que construísse um pequeno monastério,
no Nepal, como futura sede para seu neto e herdeiro espiritual, Shechen
Rabjam Rinpoche. Após ponderar a idéia por algum tempo,
Khyentse Rinpoche respondeu, com um grande sorriso, que não
construiria um pequeno templo, e sim um tão grande quanto fosse
possível. Ele escolheu construir esse segundo monastério
Shechen próximo à Grande Estupa de Jarung Kashor, em
Bodhnath, cumprindo assim uma previsão que um mosteiro Nyingma
construído nesse local viria a ser uma fonte de grande benefício
para os ensinamentos budistas, trazendo, particularmente, paz e prosperidade
para toda a região.
Os doze anos consumidos na construção do monastério
foram uma rica combinação de criatividade, conhecimento
tradicional aplicado e esforço prazeroso. Assim que o edifício
principal começou a subir, cinqüenta escultores, pintores,
ourives, ferreiros, alfaiates, construtores e artesãos produtores
de máscaras, todos alunos de Khyentse Rinpoche, reuniram-se
no local, vindos de todas as partes do Butão, do Tibet e da
Índia, para participar do trabalho.
Khyentse
Rinpoche insistiu que todas as fases da tarefa fossem cumpridas com
o maior cuidado e com atenção detalhada. Cento e cinqüenta
estátuas foram feitas no mosteiro, variando, em altura, de
60 cm a 6 metros. Estas são estruturas ocas de barro, misturado
a papel artesanal, para torná-las firmes. Dentro delas são
colocadas "árvores da vida", às quais são
fixadas relíquias de santos do passado. Todo o espaço
ao redor é preenchido com pequenas tiras de papel, firmemente
enroladas e tingidas com açafrão, nas quais mantras
e preces foram anteiromente impressos em pequenos caracteres. As paredes
dos três templos principais do Shechen estão cobertas
com belos afrescos representando a história do budismo no Tibet
e retratando todos os professores importantes das quatro escolas principais
do budismo tibetano. Ao todo, Khyentse Rinpoche realizou cem cerimônias
para consagrar as imagens e pinturas. Tais cerimônias envolvem
a invocação da sabedoria, da compaixão e do poder
da deidade para fundir-se, inseparavelmente, com sua representação
material, da mesma forma em que a mente empresta vida a um corpo inerte.
O monastério mantém uma das maiores bibliotecas do Oriente.
Monges no Monastério de Shechen recebem uma educação
viva, que, além da filosofia budista, inclui também
música, canto, dança, e pintura.
Várias
cerimônias são realizadas no Monastério de Shechen
durante o ano. Algumas duram nove dias e noites consecutivos. Khyentse
Rinpoche atribuía importância especial à preservação
da autenticidade desses rituais, que devem combinar uma profunda experiência
em meditação com uma minuciosa atenção
aos detalhes. Em conexão com esses rituais, um festival de
dança anual é realizado no pátio do monastério
por volta do mês de março. Seu propósito é
que os monges dividam com a comunidade budista o entendimento que
alcançaram durante anos de estudo e meditação.
Danças sagradas são projeções, de uma
forma bastante simbólica e bela, da visualização
interna realizada durante as cerimônias normalmente praticadas
no interior do templo. Na mente daqueles que vêm assistir ao
festival, essas danças sagradas podem levar ao que é
chamado de "liberação pela visão",
significando que a mera visão das mesmas tem o poder de liberar
a mente de sua negatividade interna e de emoções perturbadoras.
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MONASTÉRIO SHECHEN EM BODHGAYA
Bodh Gaya, o Trono de Diamante da Índia, é
o centro do mundo budista, um jardim suspenso de paz e sabedoria,
nessa era negra do Kali Yuga. Foi ali, debaixo da árvore Bodhi,
que o príncipe Siddharta, renunciante, tornou-se o Buda Shakyamuni,
e mil Budas alcançaram e alcançarão a iluminação.
Milhares de peregrinos de todo o mundo convergem a cada ano para esse
lugar sagrado. Com o passar dos anos, quase todos os países
budistas ergueram um templo próximo à Grande Estupa.
Dentre esses, há mosteiros representando três das quatro
principais escolas do Budimo Tibetano.
Antes de morrer, Khyentse Rinpoche expressou vividamente o desejo
de construir um mosteiro da escola Nyingma, a primeira a ter levado
os ensinamentos do senhor Buda para o Tibet, no tempo de Guru Padmasambhava,
de forma que sua rica tradição pudesse também
estar presente em Bodh Gaya. Esse projeto foi levado a cabo com sucesso
sob a direção de Shechen Rabjam Rinpoche e com a participação
de dedicados voluntários e doadores generosos. Com um templo
principal, um centro de estudos e pesquisas, uma grande biblioteca,
e alojamentos para professores visitantes, estudantes internacionais
e monges residentes, o monastério foi inaugurado em janeiro
de 1998, por Sua Santidade o Dalai Lama e Kyabje Trulshik Rinpoche.
O
Instituto Shechen ( Centro Internacional Nyingma para Estudos Budistas),
fundado por Rabjam Rinpoche e inaugurado por Sua Majestade, a Rainha-Mãe
do Butão, em 1997, organizaum programa de estudos profundos
de filosofia e prática Budista para estudantes de todo o mundo.
Esse programa tem a duração de um mês a cada inverno,
tendo começado no final do ano de 1998, e desdobrando-se gradativamente
ao longo dos anos.
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CONVENTO SHECHEN NO BUTÃO
Monjas,
mulheres eremitas, praticantes e mestras espirituais sempre desempenharam
um importante papel na tradição Tibetana. Foram muitas
as mestras iluminadas, tais como Khandro Yeshe Tsogyal, e as outras
quatro consortes de Guru Padmasambhava, bem como Jomo Menmo, Machik
Labdron, Jetsun Mingyuir Paldrön, Sera Khandro, e Shugsep Jetsun.
Ainda que, em uma sociedade tipicamente patriarcal, o papel da mulher
fosse freqüentemente difícil, no budismo tibetano, longe
de serem desprezadas, as mulheres simbolizavam "sabedoria"
ou prajna, e, portanto, mereciam todo o respeito. Apesar disso, pouquíssimos
conventos foram construídos fora do Tibete a fim de prover
condições adequadas para a comunidade monástica
feminina reunir-se e florescer. Através da inspiração
de Khandro Lhammo (esposa de Khyentse Rinpoche), um convento chamado
Shechen Ugyen Chözong foi fundado há vinte anos atrás,
em Sissinang, Butão. Hoje, 25 monjas vivem ali, nos belos arredores
dos campos butaneses. Um pequeno templo decorado por belos afrescos
e abençoado muitas vezes por Khyentse Rinpoche é seu
lugar de reunião. No entanto, as condições de
vida são espartanas. Os quartos são em número
insuficiente, e pouco protegidos do gelado inverno butanês,
e a água é desviada através de canos de borracha
de uma fonte distante. Khandro Lhammo tinha a aspiração
de melhorar a situação, a fim de que as monjas pudessem
continuar seus estudos e prática.
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CENTRO
DE RETIRO SHECHEN NO BUTÃO
Pouco antes de falecer, Khyentse Rinpoche mandou oito
de seus discípulos mais próximos para um retiro de três
anos. O local escolhido por ele foi o Butão, numa terreno localizado
em frente ao local sagrado conhecido como O Ninho do Tigre, um magnífico
penhasco com cavernas, onde Guru Padmasambhava meditou e escondeu
muitos tesouros espirituais. O próprio Khyentse Rinpoche fez
seus três últimos retiros nesse exato local.
O
primeiro retiro de três anos foi realizado em cabanas provisórias,
e Khyentse Rinpoche deu aos praticantes instruções detalhadas
e conselhos espirituais. Khyentse Rinpoche tinha planejado construir
um pequeno centro de retiro nesse local, com instalações
adequadas para acomodar oito praticantes, durante muitos anos, em
meditação contemplativa.
Satisfazendo os últimos desejos de Khyentse Rinpoche , Rabjam
Rinpoche construiu um centro de retiro no Butão, especialmente
voltado para a prática dos "tesouros da mente"( dgongs
gter), de Khyentse Rinpoche.
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CENTRO
DE RETIRO NO NEPAL
Rabjam
Rinpoche também planeja estabelecer um centro de retiro no
Nepal, onde tanto discípulos da Ásia quanto do Ocidente
possam praticar os ensinamentos fundamentais do budismo, num ambiente
conducente, por períodos curtos ou longos. Com a ajuda de doadores
generosos, foi adquirido um belo pedaço de terra, de frente
para a cordilheira do Himalaia, próximo a Namo Buda, a duas
horas de carro de Khatmandu. Logo, pequenos eremitérios serão
construídos, a fim de que os praticantes possam encontrar condições
satisfatórias para seus retiros.
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CENTROS SHECHEN
Discípulos devotos de todas as partes do mundo contribuem incansavelmente
para concretizar os desejos de Khyentse Rinpoche na conclusão
de seus projetos. A sede de Khyentse Rinpoche na região de
Dordogne, na França, onde passou vários meses durante
um período de quinze anos, ainda mantém vivas sua presença
e bênçãos. Da mesma forma, Shechen Tennyi Dargyeling,
em Nova York, é um centro muito ativo em levantar recursos
humanos e financeiros para manter os projetos de Khyentse Rinpoche.
Khyentse Rinpoche tinha profunda conexão espiritual com a maioria
dos mestres tibetanos e os centros de Dharma estabelecidos no ocidente,
embora formalmente não tenha estabelecido ali nenhum centro
próprio.
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PUBLICAÇÕES
SHECHEN
Depois de sua fuga para a Índia, Khyentse Rinpoche utilizava
todos os meios materiais que chegassem às suas mãos
para salvar os ensinamentos que floresceram no Tibete. Desde 1972
, começou a publicar mais de 300 volumes, reproduzidos de manuscritos
ou impressos em pedaços de madeira, tão essenciais para
a filosofia e a prática budista. Esse trabalho foi mantido
por Rabjam Rinpoche e pelo time da Shechen Publicações,
em Khatmandu e Deli, aliando a moderna tecnologia dos computadores
à caligrafia tibetana impressa em papéis artesanais
de longa durabilidade.
Um novo projeto, para compilar e reeditar, em sua totalidade, o currículo
necessário às Faculdades de Filosofia Nyingmapa, recebeu
recentemente uma bolsa da Comissão Européia.
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ARQUIVOS
SHECHEN
O monastério de Shechen no Nepal abriga uma coleção
única de treze mil negativos coloridos de pinturas em miniatura
e mil slides de thangkas pintadas e afrescos, os quais foram, em sua
maioria, fotografados no Tibet entre 1985 e 1989. Fotos feitas à
partir desses negativos são procuradas por outros mosteiros
e são do interesse de eruditos de todo o mundo. Foi construído
e instalado um arquivo na Escola de Artes Tsering, para guardar, duplicar
e catalogar esses documentos insubstituíveis. Um arquivo também
está sendo feito, a partir de 300 horas de gravação,
dos ensinamentos de Khyentse Rinpoche e de gravações
de vídeo feitas sobre sua vida ao longo dos anos.
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FACULDADE
SHECHEN DE FILOSOFIA
O
mosteiro Shechen no Tibet era famoso pelos muitos professores eruditos
que viveram e ensinaram em suas dependências. Em 1989, Dilgo
Khyentse Rinpoche estabeleceu uma Faculdade de Ensinos Superiores
Budistas no Monastério de Shechen no Nepal. No momento, mais
de cinqüenta estudantes, de todo o Himalaia, estão matriculados
num curso de nove anos. Escolas monásticas como essa são
absolutamente essenciais para a preservação dos ensinamentos
do Buda. De forma a proporcionar aos estudantes condições
tranqüilas e adequadas, Rabjam Rinpoche decidiu construir, com
a ajuda de doadores generosos, um edifício separado para a
faculdade , em terras pertencentes ao mosteiro, voltado para as seis
estupas construídas e consagradas por Khyentse Rinpoche pouco
antes de seu falecimento.
A faculdade agora é dirigida por dois diretores (khenpos),
com três assistentes adjuntos, sob a supervisão de Shechen
Rabjam Rinpoche. O curso principal tem duração de nove
anos, após o qual, a fim de se graduarem como doutores em filosofia
e prática Budista, os estudantes precisam fazer três
anos de pesquisa ou retiro contemplativo.
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ESCOLA
DE ARTE TSERING
A
única forma de pintura conhecida no Tibete era a arte sagrada-
a pintura de thangkas (pergaminhos) e murais com afrescos com temas
budistas, a maior parte dos quais abrigados em monastérios
e templos. No Tibete, durante a década de 1960, mais de 6000
monastérios, bem como os trabalhos de arte neles contidos,
foram destruídos. Portanto, a antiga arte tradicional sofreu
danos irreparáveis. As thangkas tibetanas não são
somente obras de arte, são a maneira de veicular a iconografia
e a linhagem que é essencial para o praticante budista. Portanto,
a precisão das imagens é de vital importância,
tanto quanto uma bela execução. Durante os últimos
anosalguns ateliês foram abertos no Vale de Khatmandu para produzir
thangkas para turistas.Infelizmente, muitos desses artistas não
tiveram a oportunidade de aprender os métodos tradicionais
de pintura e proporções adequadas, e a maior parte das
thangkas que estão inundando o mercado contem iconografia incorreta
e execução sofrível. A tradição
da pintura de thangkas tibetanas foi certamente degradada e sofre
o risco de ser perdida. A Escola de Arte Tsering foi criada para contribuir
para a preservação e restauração da arte
budista tibetana. Proporciona oportunidade para rapazes e moças
da região do Himalaia e dos países do Ocidente de adquirirem
o conhecimento e a habilidade autêntica de ajudar a manter viva
essa tradição sagrada.
O
professor de pintura e clérigo encarregado é Konchog
Lhadrepa, um dos mais bem treinados e experientes pintores de thangkas
vivos da atualidade. Ele está entre os últimos detentores
autênticos da Escola de Pintura Gadri. Essa tradição
de pintura prevaleceu no Tibet Oriental e é caracterizada pelo
uso de naturezas espaçosas, matizes transparentes, e uma elegância
ímpar, combinada a uma atenção minuciosa a detalhes.
Konchog estudou com o aclamado professor Gegen Tragyal do Mosteiro
Rumtek, além do próprio Khyentse Rinpoche. O curso oferecido
pela Escola de Arte tem duração de três anos .
Os estudantes tem a possibilidade de acesso às instalações
do Mosteiro Shechen, incluindo os arquivos de sua biblioteca de imagens,
para ajudar em seus estudos. A Escola de Arte também promove
oficinas de tecelagem de tangkas, confecção de estátuas
e máscaras, e outros artesanatos e artes tradicionais.
A Escola de Arte não funciona como uma empresa comercial, mas
aceita encomendas particulares e de centros.
Os textos contidos neste site foram retirados da edição
comemorativa da Revista Rabsel, composta, sob a direção
de Shechen Rabjam Rinpoche, por Tulku Sangnak Tendzin, Khenpo Jigme
Kalsang, Khenpo Gyurme Tsultrim, Lopon Yeshey Gyaltsen, Changling
Tulku, Lopon Gedun Rinchen e Konchog Tendzin (Matthieu). As fotografias
são cortesia dos Arquivos Shechen, Matthieu Ricard, Raphaele
Demandre e Marilyn Silverstone.
*Os Arquivos Schechen são mantidos através de bolsa
oferecida pela Comissão Européia*