PÉROLAS
DO DHARMA
O
comportamento correto num templo ou sala de oração
Se você
nunca esteve num templo ou sala de prática budista, esta
experiência poderá parecer um pouco estranha. Nosso
mundo moderno está cheio de locais dedicados à diversão,
mas não importa o quão prazerosos sejam, eles nos
distraem da nossa vida interior. A serena amplidão de uma
sala de prática budista pode nos parecer pouco familiar e
é por isso que compreender a maneira correta de nos comportarmos
nesses lugares de prática espiritual é algo extremamente
útil.
Ir a um templo budista é como ir a uma igreja, sinagoga ou
qualquer outro lugar de devoção.
São locais dedicados à prática espiritual,
e, quando ali penetramos, sentimentos de reverência e respeito
despertam em nós, já que a atmosfera parece estar
permeada pela experiência religiosa.
Antes de entrar costumamos tirar os sapatos. Isso não é
feito apenas em sinal de respeito, como também tem a função
de manter o chão limpo - o que faz sentido, já que
nos lugares de prática budista é costume sentarmo-nos
em posição de meditação sobre colchonetes
ou almofadas no chão. O uso de roupas discretas e confortáveis
e que nos permitam sentar no chão facilmente é também
importante: minisaias e jeans super-justos devem ser evitados! Salas
de meditação muitas vezes têm o pé-direito
alto, e podem ter correntes de ar - assim , roupas quentes também
são recomendáveis*.
Templos
e salas de oração
As diferentes
tradições do budismo possuem diferentes tipos de sala
de oração. Um templo da tradição Theravada,
por exemplo, possuirá uma estátua do Buda de grandes
dimensões. Estas estátuas são obras de arte,
bem como ícones religiosos, e isso se reflete em seu estilo.
Um Buda tailandês difere levemente de um Buda de Burma. Já
os templos Zen enfatizam a simplicidade e são mais vazios,
embora normalmente haja ao menos uma figura do Buda. Em contraste,
os templos tibetanos , ou gompas, são coloridos
e altamente decorados com uma profusão de pinturas (thankas)
e estátuas.
Mas dentro de todos estes ambientes, nosso comportamento é
semelhante. Uma vez que nos conectamos com aquela atmosfera, tendemos
a falar baixo e a prestar atenção às nossas
palavras, e também procuramos andar com suavidade. Geralmente
há um professor presente. Nós nos comportamos respeitosamente
em relação a essas pessoas – não apenas
por serem quem são, mas em reconhecimento às suas
qualidades espirituais. Se o professor é uma monja ou um
monge, precisamos ter presentes em nossa mente as regras seguidas
por eles e tentar não infringi-las. Isso é particularmente
necessário dentro da tradição Theravada. Um
monge não deve ter qualquer contato físico com uma
mulher, nem mesmo um aperto de mãos. O mesmo se aplica às
monjas, que não devem tocar um homem. O cumprimento mais
apropriado é uma reverência, com as mãos juntas
em frente ao peito.
Prostrações
As três tradições do Budismo incluem, todas
elas, prostrações. Elas geralmente são feitas
em frente a uma estátua ou imagem do Buda, e os praticantes
do Budismo costumam fazer isso assim que entram num templo ou na
sala de prática, ou ao cumprimentar seu professor. Se não
compreendermos os motivos por trás desta ação,
no entanto, esse comportamento pode parecer estranho. Pessoas oriundas
de uma tradição católica, por exemplo, podem
se sentir inconfortáveis, já que , à primeira
vista, pode parecer que os budistas estão se prostrando para
ídolos, um ato proibido pelos Dez Mandamentos.
Podemos perceber que as prostrações são um
gesto de devoção e respeito, mas por que outra razão
as fazemos? Num primeiro nível, estamos, de fato, nos prostrando
para uma representação do Buda - mas isso é
feito com a atitude de alegria e respeito pelo fato de ele ter se
iluminado. Então, é pelas qualidades que ele representa
que estamos demonstrando respeito; não estamos levianamente
nos curvando ante uma estátua ou imagem.
Mais importante ainda, estamos reverenciando a nossa própria
natureza búdica interna, o nosso potencial para o despertar.
Ao realizarmos o ato devocional de nos prostrarmos, com esta atitude
em mente, estamos nutrindo ativamente as qualidades búdicas
que jazem latentes dentro de nós e acumulando mérito
com o propósito de alcançar a iluminação.
Assim, as prostrações são um gesto tanto de
humildade quanto de respeito em direção ao nosso Buda
potencial.
Como
fazer as prostrações
1. Geralmente
nos prostramos 3 vezes diante do altar, assim que entramos no templo.
Fazemos as prostrações não apenas com o nosso
corpo, mas também com a nossa fala – recitando silenciosamente
uma prece de louvor aos três objetos de refúgio (Buda,
Dharma e Sangha) – e com a nossa mente, ao cultivarmos respeito
e fé nas Três Jóias.
2. As três tradições têm, todas elas,
suas próprias formas de prostrar, que diferem levemente.
Para executar as prostrações à maneira tibetana,
começamos com a posição de pé. Então
erguemos as mãos, com as palmas juntas acima da cabeça,
e depois as descemos até a garganta e à altura do
coração . Então dobramos os joelhos e, pondo
as mãos no chão à nossa frente, tocamos o chão
com a testa. A seguir nos levantamos e repetimos este processo até
completarmos três repetições.
*
esta informação se aplica a lugares de prática
em países de clima frio.
Trecho retirado do livro The Illustrated Encyclopedia of
Buddhist Wisdom, Gill Farrer-Halls, Quest Books, USA, 2000.
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