PÉROLAS
DO DHARMA
A
Velha Macieira
um conto do Ven.Lama Osel
Encontrei
esta história num sonho. Ela ajuda a desenvolver nossa percepção
interior.
Era uma vez
uma grande macieira. E era uma vez um menino que adorava ir brincar
ao redor da macieira, todos os dias. Ele gostava de subir até
seu topo, comer suas maçãs, e tirar um cochilo na
sua sombra grande e fresca...
O menino amava aquela árvore e a árvore amava brincar
com o menino. Mas o tempo foi passando. O menino estava crescendo
e já não vinha mais brincar ao redor da árvore
todos os dias.
Um belo dia, o menino veio ver a árvore, sua amiga. Ele parecia
um pouco triste.
_ Venha
brincar comigo, disse a árvore.
_ Eu não sou mais uma criancinha, nem brinco mais em
volta das árvores, respondeu o menino. O que eu
gostaria mesmo era de ter um brinquedo. Mas preciso de dinheiro
para comprá-lo.
_ Sinto muito, meu menino. Eu não possuo dinheiro...
Mas se quiser, você pode pegar todas as minhas maçãs
e vendê-las. Assim, você terá o dinheiro de que
precisa.
O menino ficou muito contente. No mesmo instante, agarrou todas
as maçãs que pôde alcançar e foi embora
alegremente. Depois de ter colhido as maçãs, não
voltou mais.A árvore foi ficando triste.
Um dia,depois de longa ausência, o menino apareceu outra vez.
A macieira sentiu-se radiante.
_ Venha
brincar comigo, disse ela.
_ Não tenho tempo para brincar. Tenho que trabalhar para
minha família. Precisamos de uma casa para nos abrigar. Você
pode me ajudar?
_ Sinto muito, meu menino. Não tenho uma casa para lhe
dar. Mas se quiser, você pode cortar meus galhos para construir
a sua casa.
Ao ouvir aquilo,o menino cortou todos os galhos da grande árvore
e partiu, satisfeito da vida. A macieira ficou feliz ao vê-lo
tão contente. O menino, porém, não voltou a
vê-la desde então. A velha árvore ficou outra
vez triste e sozinha.
Num dia quente de verão, o menino apareceu de volta. A árvore
ficou maravilhada!
_ Venha
brincar comigo!, disse a velha macieira, sorrindo.
_ Estou triste e ficando velho. O que eu gostaria mesmo é
de ir velejar para descansar um pouco. Será que você
não tem um barco para me dar?
_ Por que você não usa meu tronco para fazer o
seu barco? Então você poderá velejar para bem
longe e sentir-se mais feliz.
Assim, o menino cortou o tronco da árvore para construir
um barco. E saiu velejando, não voltando a aparecer por longo
tempo. Depois de uma ausência de muitos e muitos anos, o menino,
finalmente, reapareceu.
_ Desculpe, meu menino, mas não tenho mais nada para
lhe oferecer. Nem uma única maçã para você...,
disse a velha árvore.
_ Também não tenho mais dentes para morder,
respondeu o menino.
_ Nem mais tronco onde você subir...
_ Estou velho demais para isso.
_ Não posso lhe dar mais nada... a única coisa
que me resta são as minhas raízes, que estão
morrendo, disse a velha árvore, entre lágrimas.
_ Não preciso de muita coisa, agora - apenas um lugar
para descansar. Estou muito cansado, depois de todos esses anos.
_ Ótimo! As raízes de uma velha árvore
são o melhor lugar do mundo para a gente encostar o corpo
e descansar...
E o menino sentou-se próximo às raízes da árvore.
A velha macieira sorriu, entre lágrimas...
Essa é
a história de todos nós. A árvore representa
nossos pais. Quando éramos crianças, adorávamos
brincar com nossa mãe e nosso pai. Quando crescemos, os deixamos
para trás. E só voltamos a procurá-los quando
precisamos de alguma coisa ou quando nos sentimos em perigo. Mas
não importa o que aconteça, nossos pais estão
sempre ali para nós, prontos a nos dar tudo o que possa nos
fazer felizes.
O menino desta história pode parecer cruel em relação
à velha árvore. Mas é exatamente assim que
nos acostumamos a tratar os nossos pais.
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